Wednesday, April 26, 2006

MALTHUS ALTAK - PARTE II

Você não acha que os conflitos e as crescentes desordens modernas são decorrentes dos modos de pensar, de planejamento, de empatia, de decisão e de aspirações individuais de sujeitos isolados ao invés de uma conspiração global historicamente organizada como você propõe?

As infinitas maneiras do ser humano reagir às ameaças do meio social, as diferentes aspirações individuais, os inúmeros antagonismos, crises e medos do ser humano são maquiavelicamente usados pela Liga das Trevas. Existe uma sinergia sistemática e poderosa entre as motivações intrínsecas individuais, os objetivos coletivos sociais, o planejamento governamental estratégico e a propaganda universal de clichês messiânicos. A Liga das Trevas sabe explorar as fraquezas e convicções humanas sem, contudo, revelar seus reais intentos, sem tornar notório o quanto usa e manipula a opinião pública e o desejo racional ou instintivo das massas. Gosto muito das proposições de Ortega Y Gasset quando diz que “o mundo sofre de uma grave desmoralização, que entre outros sintomas se manifesta por uma rebelião das massas e que tem sua origem na desmoralização da Europa. Por outro lado, não se sabe quem vai mandar ou como vai se articular o poder sobre a terra: que povo ou grupo de povos, que tipo étnico, que ideologia, que sistema de preferências, de normas, de forças propulsoras...”

Quando você diz “propaganda universal de clichês messiânicos” refere-se ao politicamente correto e a retórica exacerbada e por vezes cínica dos direitos humanos?

Sim,em grande parte. O ethos, a força motriz dos direitos humanos, por exemplo, pode estar a serviço do fisiologismo político contemporâneo. Em breve o ethos dos direitos humanos poderá voltar-se contra os que hoje o exploram por meros interesses convencionais.

E como a mídia de massa ajuda a viabilizar esses paradigmas?

Veja bem, os conceitos que lidam com uma nova mentalidade universal, quer representem um nível mais simples ou mais complexo de síntese, tem o caráter de símbolos lingüísticos falados ou escritos. Como Norbert Elias explicou: “Para cumprir sua função de meios de comunicação e orientação, eles (os conceitos) precisam ser compreensíveis não apenas por uma pessoa isolada, mas para uma comunidade lingüística, um grupo específico de pessoas” ou como Ortega Y Gasset diria “ para as massas”. É aí que o poder da mídia de massa tem um papel único: ele traduz para o povão os complexos paradigmas que sustentarão esse novo modelo civilizacional; traduz, sintetiza, decodifica, simplifica, massifica e populariza. Nessa nova ordem de coisas, o verdadeiro cristianismo não tem vez.

Em breve a terceira e última parte da entrevista.

3 comments:

Davi said...

Bem, eu tinha achado ele um tanto eclético nas suas atividades, conhecimentos e experiências.
Achei interessante a idéia sobre o fomento ao caos, poderia ser parte daquela trama do "Deixados para trás" e de algum modo talvez seja.
Sobre a mente contemporânea, apesar de não saber o que é "escola niilista gnóstica ", acho que a geração atual não compreende com clareza a maior parte dos acontecimentos modernos.
Poderia ser chamado de uma teoria da conspiração por alguém que não conhece ou descrê nas realidades espirituais por trás das idéias que transparecem do teu texto.

AW said...

O Dani,
Me parecem bastante interessantes as linhas de pensamento do tal Malthus, mas quando escrevestes: "das falácias intelectuais da escola niilista gnóstica" eu empaquei... desculpa a ignorância, mas dá uma clareada aí.
Abraço,
AW

Daniel said...

AW e Davi,
Desde o início da era cristã os gnósticos representavam uma força iminente e perigosa. Eles criam não em um único Deus poderoso criador do universo, mas em várias deidades que poderiam ser forças espirituais abstratas ou elementos da natureza como o próprio sol. As seitas gnósticas dos primeiros séculos, entretanto, nunca prevaleceram por muito tempo em comunidades organizadas, pois todos queriam ser líderes e ninguém queria ser liderado. Para entender melhor o gnosticismo é necessário estudar um pouco da história do cristianismo e do judaísmo logo após Jesus, e da ascenção desse movimento que misturava elementos da fé bíblica com heresias místicas. Basicamente o gnosticismo caracteriza-se por:
* a negação das doutrinas básicas do AT e do NT;
* a difamação da pessoa de Jesus negando ser ele o filho de Deus e Messias;
* a crença na ascenção a um patamar espiritual elevado por meio de práticas ritualísticas, viagem astral, invocação de seres angelicais e mitos.
O Niilismo por sua vez, pode ser entendido como a versão intelectual, racional da gnose, que atingiu seu ápice, talvez, com o filósofo alemão Nietzche. A idéia central do niilismo é que o homem por si só tem todos os meios e condições de superar os traumas, as mazelas, os perigos, as dificuldades da vida independente de Deus.
Através do século XX a sociedade ocidental experimentou um invasão massiva e incomparável dos ideais niilistas e gnósticos que já vinham se fundindo desde o Iluminismo Europeu do século XVII. Para conseguir entender melhor isso é preciso empreender alguma leitura mais densa de autores desconhecidos (que são mantidos "clandestinos" intencionalmente), tais como Eric Voegelin, René Girard, Marshal Mcluhan, Oskar Skarsaune, entre outros.
Só para terem uma idéia de um golpe gnóstico recente, o livro e o filme de Dan Brown, "O Código Da Vinci" é bem emblemático. Como já estamos num estágio bem avançado da história, o diagnóstico do mal que já fizeram no mundo fica difícil porque eles militam em vários fronts.