Thursday, October 06, 2005

A REVOLUÇÃO GNÓSTICA DE CADA DIA

Alguém ainda ouve ou enxerga algo? A invasão tecnocrática "semi-onipresente" poupou alguma mente? O vírus informacional gerido pelos neo-bárbaros ainda não infectou alguém? Miopia e visão turva, dessensibilização moral, controle comportamental massivo e liberdade postiça, há alguém ainda ileso? Existe chance de encontrar um que não esteja cambaleando envenenado pelos anúncios dos ventrílocos midiáticos? As proposições gradiloquentes dos deuses da ocasião ainda não atingiram alguém? Os torpedos fatasiosos dos profetas do novo mundo já dileceraram a alma de todos, ou restam uns poucos inatacados? Há lugar para a Verdade? Oh, people of the world...your healers are the ones who stab you mercilessly. You so earnestly desired to remain slaves of your own passions!
Para colocar em marcha um movimento é preciso, antes de tudo, que alguém tenha uma "causa". Pelo contexto de Hooker, parece que o termo "causa" era de uso recente na política (séc. XVI) e que provavelmente os Puritanos haviam inventado essa formidável arma dos revolucionário gnósticos. A fim de promover sua "causa", o homem que a possui deverar criticar severamente, "onde a multidão possa ouvi-lo", os males sociais e, em especial, o comportamento das altas classes. A repetição frequente desse ato levará os ouvintes a crerem que os oradores devem ser homens de grande integridade, fervor e santidade, pois somente homens profundamente bons podem se ofender com o mal. O passo seguinte consiste em concentrar o ressentimento popular sobre o governo instituído. Essa tarefa pode ser realizada psicologicamente atribuindo-se todos os defeitos e a corrupção, tal como existe no mundo devido à fraqueza humana, às ações ou inações do governo. Imputando o mal a uma instituição específica, os oradores provam sua sapiência à multidão que, por si só, jamais teria atinado com essa conexão; ao mesmo tempo, mostram aquilo que deve ser atacado, a fim de livrar o mundo do mal. Após tal preparação terá chegado o momento de recomendar uma nova forma de governo "como remédio soberano para todos os males". Isso porque as pessoas que estão possuídas de aversão e descontentamento para com as coisas presentes, são suficientemente loucas para "imaginar que qualquer coisa (cuja a virtude lhes haja sido recomendada) os ajudaria; e mais creêm no que menos tenham tenham tentado.
Eric Voegelin - The New Science of Politics

2 comments:

Anonymous said...

É reconfortante saber que alguém se sobressaia da mediocridade predominante para constatar e proclamar que o rei está nu , como você o faz. Comungo inteiramente das suas constatações .e apreensões em relação àqueles que forçosamente sofrem o processo de imbecilização promovido pela televisão e os demais meios de divulgação ..Todos programados para retirar das pessoas a capacidade de raciocinar .Infelizmente o processo também transcorre na esfera globalizante . Foi montado no mundo uma espécie de Central Única para bem realizar esta função e, que dia e noite martela os povos com mentiras , inverdades e meias-verdades , no afã de torna-los alienados e , portanto , dóceis aos interesses dos seus eternos dominadores .
Milton Lobo

Rudi Leismann said...

O fenômeno que o Eric Voegelin descreve de forma poética é corriqueiro para nós brasileiros; talvez por isso acredito que esse complexo texto soe de maneira incrivelmente simples para a gente.

Interessantemente, um dos meus site favoritos, o Silva Rhetoricae ( http://humanities.byu.edu/rhetoric/ ) possui alguns estudos que podem prover um pouco mais de luz sobre o objeto da discussão. Dentre eles, destaco o seguinte segmento:


KAIROS
The opportune occasion for speech. The term kairos has a rich and varied history, but generally refers to the way a given context for communication both calls for and constrains one's speech. Thus, sensitive to kairos, a speaker or writer takes into account the contingencies of a given place and time, and considers the opportunities within this specific context for words to be effective and appropriate to that moment. As such, this concept is tightly linked to considerations of audience (the most significant variable in a communicative context) and to decorum (the principle of apt speech).


Rhetorical Analysis in terms of KAIROS:
Rhetorical analysis of any sort begins with some orientation to the kairos. Whether or not a rhetorical critic employs the term kairos, he or she will examine the exigencies and constraints of place, time, culture, and audience that affect choices made by speakers and authors to influence that moment:


[Exemplo]
Germany of post-World War I was demoralized and disorganized. Adolph Hitler's rhetoric was successful not only because of his personal charisma and his mastery of delivery, but because he spoke at the right time: the German people wanted a way out of its economic morass and its cultural shame, and Hitler provided them both with his strong, nationalistic oratory. Had Germany been doing better economically, Hitler's words would have bounced harmlessly off the air.